terça-feira, 16 de março de 2010

Poesia 3

Insistência


Da palavra se fez a alegria.
Da alegria se fez o riso.
Do riso se fez a luz.
Da luz se fez o dia.
Do dia se fez o tempo.

O tempo que insiste em passar...

Do tempo se fez a espera.
Da espera se fez a angústia.
Da angústia se fez o assombro.
Do assombro se fez a penumbra.
Da penumbra se fez a noite.

A noite que insiste em queimar...

Da noite se fez a festa.
Da festa se fez a cantoria.
Da cantoria se fez o pranto.
Do pranto se fez o choro.
Do choro se fez o homem.

O homem que insiste em ser...
Do homem se fez a palavra.
E da palavra se fizeram todas as outras coisas.

As coisas que insistem em existir...

Música 2

Minha alegria


O amor consumiu minha alegria
Só deixou a melancolia
Entristeceu o meu viver.

Minha vida era a boemia
Dia e noite, noite e dia
Eu vivia sem você.

Agora só restou a nostalgia
No meu peito, essa agonia
E as lembranças a reviver.

Não sorrio como eu sorria
Eu perdi a cantoria
Minha vida é sofrer.

Vivo a espera de um dia
Ver voltar minha alegria
Que habita em você.

Música 1

Encruzilhada



Vamos ver onde é que vai...
Onde vai dar esta estrada.
Vamos ver onde é que vai...
Se vai dar na encruzilhada.


Venha ver o meu amor
Ó minha linda namorada
Todo amor é sofredor
Mesmo em noite enluarada.


Vamos ver onde é que vai...
Onde vai dar esta estrada
Vamos ver onde é que vai...
Se vai dar na encruzilhada.


Já nasceu o novo dia
O caminho é perigoso
Também cheio de alegria
Nesse teu olhar formoso.


Vamos ver onde é que vai...
Onde vai dar esta estrada
Vamos ver onde é que vai...
Se vai dar na encruzilhada.


Veja a ginga do mulato
O teu olhar logo se assanha
Com o sorriso do gaiato
Deixa que ele te ganha.

Saudade do Marahu


"Eu que vivo de mar em mar, pescando pra sobreviver. Digo a quem quiser me escutar, que não tenho mais saúde nem disposição para passar tantos dias sem ninguém em alto-mar.


Quero uma cama quente, comida na mesa e olhos saudosos e cheios de carinho do meu bem. Naveguei por muitos mares, tantos rios, pesquei de tudo. Peixes de todos os tamanhos e cores, de gosto bom e ruim também.

Umas vezes pesquei somente com anzol e linha, outras com redes de arraste, com tramas de todos os tamanhos e tipos.

Houve dias em que não pesquei um peixinho sequer. Mas vivi outros em que foram tantos peixes que mal pude carregar e saborear, devolvendo o excedente para o mar.

De alguns não guardo nenhuma lembrança, de outros lembro de cada escama, cada detalhe, do sabor, da cor e do olhar. Sim, do olhar do peixe porque cada peixe tem o seu olhar, um olhar próprio que só pescador sabe decifrar".

Haikai 3

Noite quente
Cama fria
Vaga mente

Haikai 2

É primavera em mim
e as flores bailam ao vento.
Será meu pensamento?

Haikai 1

Estrelas do mar
Dançam no céu
Em noite de luar

Poesia 2

Amar


Amo no vão

entre o dia e a noite,

nas horas que mudam,

no tempo que fecha,

no mar agitado...

Exatamente nas circunstâncias

mais improváveis de se conjugar

o verbo amar.

Poesia 1

Metrônomo

Passo

Com o passo
Compasso
Vejo e refaço
O espaço

Estilaço
A lâmina do aço
Desfaço
Em pedaço
O laço