domingo, 7 de novembro de 2010

Atenção: não leiam Monteiro Lobato!

Em meio aos absurdos que assistimos cotidianamente neste país, recentemente um me chamou atenção: a leitura de célebres autores da literatura brasileira, como Monteiro Lobato, é considerada motivadora do preconceito e da discriminação racial. Não sou eu quem diz isso, é o Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão do Ministério da Educação, ao tentar proibir a distribuição do livro "Caçadas de Pedrinho" por julgar seu conteúdo racista.

É sabido de todos que a educação brasileira vai mal, muito mal. Infelizmente a escola tem sido palco de quase tudo, de assédio sexual a ponto de venda de drogas, menos de educação e instrução. Em geral, os professores são mal remunerados e as condições de trabalho são péssimas. Para não cometer injustiça, entendo e reconheço que há espaços de excelência e destaque, que infelizmente são a exceção. Os jovens saem da escola e ingressam no ensino superior sem saber ler e escrever razoavelmente. E sabe o que é pior? Muitos concluem o ensino superior quase do mesmo jeito que entraram. Sabe por quê esses jovem leem e escrevem mal? Porque não leram Machado de Assis, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, entre outros grandes nomes da literatura.

Concordo com a Academia Brasileira de Letras que se manifestou veemente contra a posição do CNE e ainda sugeriu que em vez de proibir as crianças de saber a vergonhosa realidade histórica do país, seria muito melhor que os responsáveis pela educação estimulassem uma leitura crítica por parte dos alunos. Para tal, temos que investir em professores melhor qualificados e em escolas preparadas para formar indivíduos autonomos e críticos de verdade. Mas me parece claro que esse não é o objetivo. Afinal, esses individuos são ameaça constante ao modelo político hegemonico porque podem se tornar CIDADÃOS.

sábado, 6 de novembro de 2010

Poesia 6

Sou a delicadeza

Da seda leve,

Da brisa suave

Das manhãs de outono.



Mas se me aborreço,

Logo passo

Ao extremo oposto.



Percebo a ira

Subir pelas minhas pernas

Alcançar as minhas mãos

E sair pela boca.



O mundo fica do avesso

A vida de ponta-cabeça

Solto labaredas

Reluzentes e mortais

Por todos os meus poros.



Até que alguem me abrande,

Já destrui meio mundo

Estilhaçei copos e janelas

Desestabilizei os pólos.

Haikai 5

A ave solta
Baila leve
Envolta sente
Que a vida ferve.

Poesia 5

Eu tenho mais fases que a lua.

Oscilo entre os pólos.

Revejo meus conceitos.

Rasgo meus planos.

Traio meus ritos.

Sigo em frente.

Volto atrás.

Xingo, berro.

Danço, rezo.

Páro, faço.

Poesia 4

Há algum tempo

Habita em mim

Uma velha senhora

Triste e ranzinza

Com xale rosa



Surgiu da tristeza

Do amor mal-amado

Do casamento falido

Da promessa não cumprida

Do sonho cortado.



A velha senhora

Substituiu a moça

Que tinha esperanças

Que saltitava entre as flores

Sonhava amores.



A moça morreu

Numa manhã de outono

De tristeza e dor

Do completo abandono

Do amor.



No lugar da moça formosa

Sobrou a velha ranzinza

Que anda pelas sombras

Rogando pragas

Às moças bem-amadas

Haikai 4

Chuva de idéia,

Colheita de tempestade.