domingo, 2 de janeiro de 2011

Rádio, televisão ou internet?

Estou cada vez mais convencida da importância do acesso universal e livre à internet, seja para a mera  interação por meio do ORKUT, FACEBOOK, Hi5, TWITTER, ou escrever livremente em um blog, site, WIKIPEDIA, ou postar videos no YOUTUBE, ou promover educação à distância por meio de inúmeras ferramentas virtuais, tais como MOODLE, TELEDUC etc, ou realizar reuniões, discussões ou conversas usando o SKYPE, MESSENGER ou webconferência. Enfim, uma lista de infinitos meios para infinitas possibilidades de uso. Vou explicar meus motivos.

O rádio e a televisão sem dúvida ainda são meios de comunicação muito "utilizados" pela população brasileira. Mais de 80% da população brasileira possui aparelho e rádio e televisão no domicílio (Teleco, 2010).

Por que aspeei a palavra UTILIZADOS?

Porque me parece razoável pensar que o contrário também é verdadeiro. A via é de mão dupla.

Os meios de comunicação de massa são utilizados pela população e também a utiliza de várias maneiras.  Afinal, qual é o meu nível de decisão individual sobre a programação de uma emissora de rádio ou televisão? Nenhum. Talvez haja certo nível de decisão coletiva. Os programas exibidos pelas emissoras de rádio e, principalmente, de televisão são mantidos ou substituídos em função da audiência. Portanto, o movimento entre a sociedade e as mídias de massa é sempre dialético. Assim como a audiência muda os rumos de uma novela, minissérie ou programas de auditório, a programação das emissoras possui forte componente ideológico, facilmente manipulado por interesses financeiros e governamentais. Os telejornais são um bom exemplo desse componente.



Vivemos em um país com um dos piores sistemas educacionais do mundo, em que os jovens que conseguem chegar ao ensino superior, e acabam acessando-o facilmente pela enorme oferta privada associada a um sistema de crédito estudantil público, apresentam dificuldades inerentes à formação básica precária, como dificuldade em reconhecer grandezas e interpretar textos simples. Segundo Relatório de UNESCO (2010), cerca de 13,8% dos brasileiros largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico. Neste quesito, o País só fica à frente da Nicarágua (26,2%) na América Latina e, mais uma vez, bem acima da média mundial (2,2%).  O Brasil poderia se encontrar em uma situação melhor se não fosse a baixa qualidade do seu ensino. 

O que esperar de um pais em que a maioria da população, de um lado, têm elevado acesso às midias de massa claramente parciais, como rádio e televisão, e, de outro, não têm acesso à educação de qualidade, sobretudo a básica? 

Sem educação de qualidade, um país não consegue formar indivíduos críticos e dificilmente manipuláveis por quem quer que seja (rádio, televisão, governo etc), dotados de autonomia e de condições de escolher o que é melhor pra si.

Como não conseguiremos mudar rapidamente o nível de educação da população brasileira, mesmo que as reformas e os investimentos necessários no sistema educacional comecem imediatamente, porque as transformações nessa área sempre acontecem a longo prazo, e não percebo a menor disposição das emissoras de rádio e televisão comercial aberta do país em mudar radicalmente a sua programação sob pena de perder audiência e, com isso, deixar de ganhar milhões de reais em propaganda e merchandising, acredito que o espraiamento do acesso à internet e a proliferação de organizações não governamentais sérias, voltadas à educação comunitária, sejam uma saída possível para o processo de emburrecimento e apatia social do pais.

Ao contrário do que possa parecer nesse texto, eu não sou contra o rádio e a televisão. Acho-os, cada um do seu jeito, extremamente fascinantes. Possuem linguagem e funções sociais muito próprias. Mas o mundo mudou. A globalização e a revolução na informação nos colocam diante de um novo contexto. Hoje podemos ter acesso em tempo real à várias versões (ou verdades) sobre um fato ou fenômeno e fazer nosso próprio julgamento, sem termos que consumir uma notícia pronta, baseada na versão unilateral da situação.É sobre isso tento refletir nesse texto.

Continuo gostando de ouvir músicas e notícias pelo rádio e de ver o jornalismo e a dramaturgia da televisão...

Fontes:


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